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39º Cadernos Negros é lançado na Quartinhas de Aruá

Dois eventos de fomento e divulgação da produção literária negra se unem em dia de lançamento. Nesta quarta-feira(21), às 18h30, a publicação Cadernos Negros (Ed. Quilombhoje) chega a 39ª edição na Quartinhas de Aruá-encontros de literatura negra. As duas iniciativas ocorrem na sede do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A entrada é gratuita e o livro custa R$ 35.
A abertura da Quartinhas de Aruá contará com performance da atriz Vera Lopes , da cantora Alexandra Pessoa e da dançarina Taina Cerqueira. Em seguida, a doutora em Estudos Literários e professora da Ufba, Florentina Souza, irá traçar o histórico dos Cadernos Negros na literatura nacional antes do sarau literário e da sessão de autógrafos dos escritores presentes. 
Os Cadernos Negros têm periodicidade anual  e tem alternância entre prosa e poesia. No anos ímpares são publicados poemas e nos pares o espaço prioriza os contos. O propósito é a apresentação de novos autores no âmbito nacional, pois mostra trabalhos de escritores de diversas regiões do país. “Dessa maneira consegue mostrar o que há de multifacetado, de plural dentro do que chamamos literatura negra. Embora ela acompanhe uma mesma estrutura narrativa dentro desse  processo identitário, a literatura negra não é igual”, pontua Marcus Guellwaar.
Nesta edição que traz o tema ‘Poemas são diversos’, integram 36 escritores, sendo 14 baianos ou residentes no Estado:Alessandra Sampaio, Ana Fátima, Benício dos Santos Santos, Cláudia Gomes, Fernando Gonzaga, Guellwaar Adún, Jocelia Fonseca, Jovina Souza, Lande Onawale, Louise Queiroz, Negranória d’Oxum, Urânia Munzanzu, Luís Aseokaynha  e Fausto Antônio. Alessandra, Urânia e Ana Fátima são coordenadoras das Quartinhas ou ainda mantém relação com o movimento como Jocelia Fonseca. “É o grande porto da literatura negra brasileira e merece todos os nossos louvores”, disse um dos coordenadores da Quartinhas de Aruá, Landê Onawale Munzanzu, que tem produção publicada em sete volumes dos Cadernos Negros.
Ainda estão na publicação, Adegmar Candiero, Anita Canavarro, Aretusa dos Santos, Bruno Gabiru, Cristiane Mare, Cuti, Dirce Prado, Edson Robson, Eliana Alves Cruz, Esmeralda Ribeiro, Fernando Gonzaga, Góes, Ibeji Sisin, João Romualdo,Jovina Teodoro, Júlia Cristina Costa, Juliana Costa, Kasabuvu, Lepê Correia, Nana Martins, Pretta Val, Sergio Ballouk e William Augusto. Os organizadores são Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.
Veja vídeo com a declamação do  Me Gritaron Negra da  poetisa, compositora, coreógrafa e desenhista peruana, Victoria Santa Cruz, que é referência no luta contra o racismo:

O poeta Marcus Guellwaar– do coletivo Ogum’s Toques Negros teve sua estreia na 34ª edição e já teve seus textos publicados em mais quatro volumes. “É uma grande vitrine nacional para os nossos textos numa cena que ainda nos inviabiliza, ainda não reconhece nossas produções, no entanto, não vão poder nos apagar. A gente tem esse registro. São os  Cadernos Negros. Me sinto muito orgulhoso de participar da coletânea. É um retorno positivo para meu trabalho”, afirma o poeta.
O primeiro número do Cadernos Negros surgiu em 1978, com oito poetas que dividiram os custos do livro. A organização e a editoração é da Quilombhoje que divide os custos com os escritores. Para receber  a carta-convite e integrar a lista dos contemplados nas edições dos livros é só acessar o site Quilombhoje, preencher o cadastro e aguardar resposta com as condições de participação. No mesmo endereço eletrônico é possível ter acesso aos meios de aquisição de cada número. Na história da publicação, pelo menos, 200 escritores já tiveram textos publicados, segundo o Landê Onawale Munzanzu, da Quartinhas de Aruá.
Proporcionar um momento de reflexão sobre literatura negra na diáspora e no Brasil foi  a motivação da criação da Quartinhas de Aruá pelos escritores José Carlos Limeira e Landê Onawale  e  a mestra em estudo de linguagens pela Uneb e educadora para Relações Etnicorraciais e de Gênero, Lindinalva Barbosa. O ano era 2005.  O nome traz elementos como o objeto essencial em ritos do candomblé– além do dia em que é realizado– e a bebida que faz referência a celebração típica do evento. O encontro, nos primeiro dois anos, acontecia na última quarta-feira de cada mês na Casa de Angola. A partir de 2008, passou a ocorrer de forma intinerante e em intervalos maiores.
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Escritor

Soteropolitana até não poder mais, filha de Oxoguian e chocólatra. De formação, sou jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Jornalismo Contemporâneo.

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