Mandacaru,

A ascensão do poder feminino no sertão através do cangaço

Quem diria que em tempos tão conservadores uma figura feminina ficaria famosa como um dos representantes dos grupos mais temidos do sertão? Maria Bonita, a esposa do famoso Lampião, não ficou ás escondidas, protegidas dos perigos da vida, como era comum acontecer com as amadas dos cangaceiros. O próprio Lampião não aceitava mulheres no bando que governava, mas após se apaixonar por Maria Bonita, as regras mudaram.

O Padre Cícero Romão, um dos contemporâneos do rei do cangaço, certa vez disse que Lampião seria invencível enquanto não aceitasse mulheres no bando. Coincidência ou não, seu Virgulino Ferreira da Silva morreu degolado junto a outros onze cangaceiros de seu grupo, deixando sua amada ferida, que pouco mais tarde teria o mesmo fim.

Apesar de não ter uma causa – política ou social – a política ou social, estando ali por paixão ao marido, Maria Bonita já podia ter sido considerada um ícone de liberdade feminina, depois de se desfazer de um casamento conturbado, no qual não gerou filhos, tudo o que, naquela época, era absurdo de ser feito por uma mulher que se considerasse digna. Dentro de todo o cenário machista que regiu a sociedade por muito tempo, Maria Bonita foi um ícone de força, liberdade e rebeldia, que inspirou outras mulheres a seguirem estes e outros bandos onde eram recebidas.

Fora da lei ou não, a importância da participação das mulheres nos bandos de cangaceiros, iniciada pela rainha do cangaço, Maria Gomes de Oliveira, foi uma das principais histórias de inspiração a liberdade feminina e ao feminismo. Dentro do grupo, as mulheres empenhavam não só o papel importante de cuidados de enfermaria, como também carregavam armas automáticas e de cano curto para defesa pessoal, tirando – em partes- a ideia de fragilidade feminina e de protetor dos homens do bando.

Hoje em dia, mesmo com dividas as opiniões de heróis do sertão ou foras da lei, não pode-se negar que a liberdade da mulher sertaneja, com símbolo de força apelidado, após a música “Paraíba Masculina” de Gonzaga, como “mulher macho, sim sinhô”, deve-se – e muito – à rebeldia, força e engajamento da rainha do cangaço, Maria Bonita.

Conheça mais no filme Lampião, O Rei do Cangaço

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Escritor

Susana Rebouças, 23 anos. Graduada em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Jornalista da Flor de Dendê.

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