Mandacaru,

A beleza e os perigos das águas doces do sertão

Foto: Dodó Rebouças

O Paraguaçu, maior rio baiano, nasce no Morro do Ouro, na Serra Cocal, em Barra da Estiva, na região da Chapada Diamantina e é responsável por abastecer as cidades que banha, o Recôncavo Baiano, Feira de Santana e Salvador, além de ser divisor territorial de 23 das mais de 30 cidades por onde corre. O “Paraguaçu” vem do tupi guarani e significa “rio grande”, tendo 600km de curso. Essas águas fizeram parte da histórica Guerra da Independência do Brasil, sendo palco do bombardeio à cidade de Cachoeira, sede da revolta contra os portugueses. O rio, ainda chegou a ser a principal via de transporte e comunicação na época.

De uma beleza incrível e ainda dando aos pescadores condições de pesca, as águas doces e escuras do Paraguaçu fazem um bem enorme, para a região, ajudado nos períodos de seca. Como a maioria dos rios do nordeste, ele é resistentemente forte em alguns de seus pontoes e é esta mesma força que torna o rio muitas vezes perigoso.

No último sábado (19), dois rapazes morreram afogados no Paraguaçu, no balneário Três Gameleiras que fica na cidade de Iaçu, sertão baiano. Os irmãos estavam na cidade para visitar o pai e decidiram se banhar na região que antes era muito usado por banhistas, mas por ficar frequentemente cheio, tornou-se um tanto perigosa.

Região em que ocorreu o acidente em Iaçu

Em meados de setembro, o ator Domingos Monatgner, também morreu afogado enquanto gravava a novela Velho Chico, como o personagem sertanejo Santo, pelo mesmo motivo do acidente em Iaçu: se banhar em uma região perigosa do rio São Francisco, na cidade de Canindé de São Francisco, Sergipe.

Entenda como acontece um afogamento

Estes dois são só alguns dos muitos casos de afogamentos que acontecem nos mais diversos rios do mundo. Os perigos que as águas oferecem já são conhecidas desde que os rios começaram a ser usados como forma de subsistência e lazer. Por isso, alguns ditados se tornaram comuns quando o assunto são as águas correntes.

Quem avisa, amigo é

Eu ouvi durante toda a minha infância e adolescente a minha avó paterna dizer o mesmo ditado quando dizíamos ir para o rio: “menino, não vai pra o rio, porque rio não tem cabelo”. O ditado quer dizer, no fim das contas, que na hora de algum acidente, o banhista não tem onde se segurar. Outro ditado muito conhecido é “o rio gosta de quem sabe nadar, porque quem nada já é dele”, como os peixes, por exemplo.

Outro ditado e um dos mais conhecidos é “em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”, que fala, assim como todos os outros, sobre precaução. Esse ditado surgiu por ser o couro da barriga do jacaré a parte mais frágil da pele, sendo o das costas ser o mais resistente. Assim, o ditado pode ser interpretado como proteger-se dos perigos.

em-rio-que-tem-piranha-jacare-nada-de-costas

A ideia não é que se deixe de visitar os rios, de conviver e viver a natureza, mas que se tenha sempre precaução e respeito com as forças naturais das águas, analisando e conhecendo os locais através de especialistas e moradores locais antes dos banhos e visitas, respeitando as sinalizações e os animais nativos, se divertindo, assim, com segurança. Inclusive, já que vocês sabes dos riscos, mas também reconhecem a beleza, estejam todos convidados a conhecer os nossos lindos rios, principalmente o Paraguaçu.

4+
0sem comentários

Escritor

Susana Rebouças, 23 anos. Graduada em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Jornalista da Flor de Dendê.

Deixe uma resposta

Siga @flordedende