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Conheça as 15 finalistas do concurso Deusa do Ébano 2017

Fotos André Frutuôso / Divulgação

No dia 4 de fevereiro deste ano, uma dessas quinze mulheres negras– a que unir carisma e expressão de afirmação pela dança, encantando os jurados do 37ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê– irá conquistar o título de Deusa do Ébano 2017. A Noite da Beleza Negra irá contar com a Band’ Aiyê e Daniela Mercury como atrações.

Para você saber mais sobre a rainha que irá conduzir os súditos do Ilê Aiyê pelos circuitos do Carnaval 2017 que aborda o tema “Os povos Ewé/Fon. A influência do Jeje para os afrodescendentes”, além de representar a entidade ao longo ano, a Flor de Dendê apresenta a relação de cada candidata com o bloco e um pouco da preparação para o dia em que a Senzala do Barro Preto transborda beleza, orgulho e emoção emanados por representantes da realeza presentes no público e no palco.

As finalistas foram selecionadas no último dia 10, do total de 45 pretendentes ao mais desejado posto do bloco afro fundado em 1974. Das escolhidas, cinco são estreantes e dez renovam, a cada ano, as estratégias para ficar mais perto da realização do sonho de ser coroada. A partir de agora a rotina intensa envolve ensaios de dança, provas de figurino, maquiagem e adereços, aulas de condicionamento físico, reuniões com a produção do evento, entrevistas para a imprensa, controle da ansiedade, preparo espiritual, assistir vídeos de apresentações anteriores para corrigir possíveis deslizes – para quem já passou da primeira tentativa– e , um dos fatores mais importantes, sorriso sempre estampado no rosto de quem sabe o valor simbólico desse processo.

Veja as candidatas:

Ana Paula da Silva Santos, 25 anos, vendedora. Bairro: Curuzu
Em sua primeira tentativa, em 2012, Ana não esquece que a vencedora já havia concorrido em cinco edições do concurso. Assim ela vai para a quarta seleção para realizar o sonho de criança. “O meu primeiro desfile de Ilê ainda foi no ventre da minha mãe”, disse. No preparo, Ana conta ajuda de amigos e parentes para montar a coreografia e não deixa de ver suas apresentações anteriores para não repetir os deslizes, além da confecção da roupa. “A apresentação nunca sai igual ao ensaio. A emoção conta muito. Este ano pretendo me soltar mais”.

Camila Cruz Silva, 25 anos, assistente de vendas. Bairro: Plataforma
Ficar pelo menos entre as três primeiras colocações é a meta inicial de Camila que concorre pelo segundo ano. Para tanto, ela vai se esforçar para sorrir mais e mostrar simpatia no palco. “O Ilê mostra a nossa realidade e mostra que podemos estar onde queremos e devemos. Me sinto representada”. Em seu dia a dia, a dança está sempre presente. “Ensaio em casa, faço aula na Funceb (Fundação Cultural do Estado da Bahia) para me sentir mais segura na dança”.

Cibele da Silva Santos, 28 anos, afro-empreendedora. Bairro: Fazenda Garcia
Para conceder essa entrevista, Cibele saiu do meio do cortejo puxado pelo Ilê na Lavagem do Bonfim. “É o quarto ano que participo. Além da educação que tive dos meus pais, o Ilê ajudou na construção da minha identidade  e  consciência”. Ao contrário da maioria, ela fica mais nervosa durante as primeiras seleções do que na noite da escolha. ” A cada ano saio mais fortalecida. Esse não é um concurso qualquer. Tem a ver com ancestralidade e com os orixás”. Os amigos e a comunidade o terreiro onde é líder religiosa, ajudam na escolha dos passos que irá executar e na composição do figurino.

Daiane de Souza Conceição, 22 anos, auxiliar administrativo. Bairro:Itapuã
Depois do posto de Rainha Malê 2013, Daiane passou a desejar a coroa de Deusa do Ébano e lá se vão quatro anos.  Por causa do Ilê ela garante que começou a firmar sua identidade, pois gostou do sentido do empoderamento, parou de ter receio de usar cores que antes não pareciam adequadas à tonalidade da sua pele. “Só deixo de concorrer quando ganhar. A vontade de ser rainha ajuda a nossa luta em todos os aspectos. Na ficha do primeiro ano que concorri, fiquei com vergonha de não ter o que colocar na escolaridade. Voltei a estudar, faço pedagogia”. O penteado ainda não foi definido. Enquanto isso ela se divide em adquirir condicionamento físico e recebe orientações do profissional que lhe auxilia.

Daniele Nobre Nascimento, 31 anos, secretária executiva e empreendedora. Bairro: Bonocô
Há sete anos, Daniele adora se produzir para conquistar essa coroa. E já chegou bem perto com o 2º lugar (2013 e 2016) e o 3º (2008) desfilando no carro da rainha no Carnaval.  Com toda a família seguindo o Ilê, o sonho é partilhado com amigos e parentes, inclusive o namorado que é personal trainner e os amigos que ajudam na aula de dança. “Me sento deusa naquele palco”. Ela também não abre mão de participar de todas as escolhas da roupa. “Faço tudo junto com o estilista. A roupa tem que ser bonita, mas tem que ter efeito no girar, descer, quebrar”.

Edmeire Cerqueira do Rosário, 32 anos, técnica administrativa. Bairro: Liberdade
Na primeira vez não achou que ia alcançar. “Não queria ser rainha, queria ganhar fantasia”. Mas quando viu que ficou com o terceiro lugar na primeira participação, em 2006, a vontade cresceu e essa é a sua sétima tentativa. A Muzembela 2016 segue persistindo. “Um dia alcanço. Enquanto tiver idade e saúde vou tentando”. A roupa é pensada pela mãe e confeccionada pela cunhada da mãe. Já nos ensaios se vira sozinha com vídeos e música e se sente mais preparada.

Elaine Cristina Silva Lima de Jesus, 27 anos, esteticista afro. Bairro: Santa Mônica
Deixar a vergonha de lado e fazer tudo que realiza nos ensaios é a meta para a apresentação de Elaine em seu segundo ano no concurso. Ela conheceu o Ilê em um curso profissionalizante, em 2009, de estética afro. “O Ilê que me profissionalizou e me conscientizou formando a minha identidade, mostrando o que é ser negro. Aprendi que a mulher negra pode estar onde ela quiser”. Para a roupa ela conta com apoio profissional.

Gisele Santos Soares, 24 anos, professora de dança. Bairro: Itapuã
A mãe e as tias sempre quiseram concorrer ao título, mas a iniciativa de encarar a seleção ficou para Gisele que estreia este ano. ” O título fortalece nossa afirmação e luta contra o racismo, traz representatividade. Foi uma emoção ser selecionada e estou recebendo ajuda de vários amigos. Qualquer uma que ganhe, vai representar a melhor forma”, disse ela que alia a preparação física a espiritual.

 

Honara Santos da Paixão,20 anos, universitária. Bairro:  Fazenda Garcia                                                                                                                                                                                                                                                                                      Após desfilar como foliã por 10 anos, Honara acha que é a hora de bailar em cima do trio com rainha. Em sua primeira tentativa ela que já se sentiu representada por várias Deusas do Ébano, quer representar outras mulheres. “É o lugar onde pessoas comuns se tornam rainhas.  A preparação já dura um ano. Na dança conta com amigas e a roupa será feita por um irmão de santo. ” Só precisava ficar entre as quinze e estou. Foi difícil dormir e acreditar”.

Juciara do Espírito Santo Silva,35 anos, promotora e universitária. Bairro: Nordeste
Sair da zona de conforto e intensificar as aulas de dança para inovar nas evoluções são as ações de Juciara para sentir a sensação de carregar o título em seu oitavo concurso. Ela ficou na 3ª colocação em 2009 e treina muito em casa. “O Ilê me ensinou a garantir o meu espaço sendo mulher guerreira e negra. Alcançar e sempre garantindo o meu espaço”. 

Jucineide Ferreira dos Santos,31 anos, técnica em segurança do trabalho. Bairro: Pero Vaz
No bloco ela desfila desde os 13 anos de idade  e conta com o apoio da família até realizar o desejo de ser Deusa do Ébano. Na quinta tentativa de comandar o desfile do Ilê Aiyê, Jucineide quer radicalizar. “Vou mudar em tudo. Na roupa, na dança. Vejo os vídeos antigos, ensaio em casa e não quero repetir nada dos anos anteriores”.

 

Juliana da Silva Conceição,29 anos, recepcionista. Bairro: Acupe de Brotas
Se tornar referência para mulheres e crianças é o sonho de Juliana que está em sua sexta participação no concurso. Gostou da experiência de ser princesa em 2012 e o empoderamento cresceu, além do incentivo de  amigos e familiares. “É mais que um título, é autoafirmação. Nossa dança fala muito, mostra a cultura”. Além do preparo espiritual, ela faz o curso de dança oferecido pelo Ilê na Funceb, um amigo formado em moda faz a roupa. “Venho com mais ousadia, investindo em nova técnicas de evolução e um diferencial na roupa”.

Suana Emile Góis de Jesus,24 anos, auxiliar administrativa. Bairro: Santo Antônio Além do Carmo
Sempre assistiu ao concurso, mas a antiga moradora da Liberdade  tinha vergonha por conta do seu corpo. “Aí percebi que não tinha isso. Não existe diferença, todas são valorizadas e sem precisar ser rotulada”. A familiaridade com a dança é antiga. Ela integra o grupo residente da Funceb , o Valse D’amor, além da quadrilha Capelinha do Forró. A figurinista que trabalha com ela, vai ajudar na roupa.

Viviane Lopes de Santana,25 anos, baiana de acarajé. Bairro: Itapuã
Ainda não deu para se acostumar com a vivência com mulheres que admirava de longe e bem mais experientes. “É a minha primeira vez e já me sinto vitoriosa por ser finalista. O Ilê tem um legado que fortalece e impulsiona nossas vitórias”. A 2ª colocação no Negra Malê 2014 sem nunca ter participado de uma seleção, deixa a candidata mais tranquila. “Me sinto em casa no palco”, disse ela que conta com apoio da família biológica e de axé em sua trajetória.

Thuane Vitória Pereira Santana,19 anos, estudante. Fazenda Grande do Retiro

Ela ainda não acredita que, em sua primeira participação, está as quinze finalista da edição de 2017 do concurso. ” Sempre tive esse sonho. O Ilê mostra nossos valores políticos, étnicos e tenho muito respeito pela história da entidade. A família de axé e a biológica estão na  torcida. “Meu pai de santo é quem mais me incentiva”. Um amigo dançarino vai ajudar na coreografia e na roupa que também vai contar com o auxílio dos irmãos do terreiro.

 

 

 

 

 

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Escritor

Soteropolitana até não poder mais, filha de Oxoguian e chocólatra. De formação, sou jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Jornalismo Contemporâneo.

9 Comentários

Lucas Vinícius

Como diz a nossa amada Arany Santana: ”Simbora negonas” e fica aqui registrado meu orgulho em ter uma amiga e comadre entre as candidatas Elaine Cristina mulher vencedora por mais um ano de tentativa em representar o nosso povo preto, porque já nascemos sendo Ilê, somos filhos do Curuzú, crescemos a cada batida de tambor… #MuitoAmor #FlorDeDendê adoro!

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Cleidiana Ramos

É isso mesmo Lucas. Torça pela sua favorita. Um grande abraço.

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Carolina Alves de Brito.

Todas são lindas!!! Mas, o ” perfil” da Viviane Lopes está trocada a foto. Beijo a todas e que vença a melhor!!

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Meire Oliveira

Oi, Carolina. O perfil das candidatas está antes das fotos. Abraços!

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Joana Maria da Cruz Pereira

Lindas negras mais estou torcendo especialmente por uma Thuane Vitória Pereira Santana 19 anos .
Pela primeira vez participando mais com o grande sonho de ganhar e merece muito ganhar.
Boa sorte a todas

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Edilene souza borges

Negonassssssssss tenho orgulho de vcs

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Jefesson santos dos santos

Tá aí o ilê, tá aí o ilê ê foi classificada sendo à mais votada à deusa é você, que Deus e os orixas ilumine à passagem dessa menina que hoje se tornar mulher pra representa um dos blocos afro mais antigos de salvador, mulher guerreira, esforçada que vai sim levar toda energia para o povo negro e elevar a autestima das mulheres negras da Bahia, já saiu no bloco à anos e sei que Thuane vitória uma amiga que vou pra vida toda merece esse título por que ela já é uma Deusa #DAMA DE BRANCO #FLOR DE DENDÉ

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Claudia lopes

To aqui na torcida por thuane

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Marize Martins

Me sinto representada em cada uma dessas mulheres!!!

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