Àdàpò,

Financiamento para novo episódio do Òrun Àiyé acaba no dia 3 de janeiro

Crédito: Divulgação

Fiel ao propósito da sua criação, encerramos o ano no Àdàpò no clima de partilhar e discutir assuntos que fortalecem nossa identidade e nossa herança cultural. Nada mais apropriado do que o financiamento coletivo para a produção do segundo episódio da série de animação “Òrun Àiyé”,  que narra histórias da cultura iorubá. Até o próximo dia 3, pelo Catarse será possível contribuir para a produção do curta-metragem que deve estrear na segunda semana de janeiro de 2018.

A campanha tem a primeira meta de R$ 50 mil. A contribuição mínima é no valor de R$ 10 e a máxima de R$ 5 mil  com um pacote de recompensas para cada cota de financiamento. “Com R$ 50 mil conseguimos fazer um filme com cinco minutos. Alcançando a meta de R$ 80 mil, chegaremos aos 17 minutos. Com a terceira de R$ 120 mil, o filme será exibido em 12 terreiros de candomblé, em 12 estados brasileiros”, explica Jamile Coelho que divide a direção com Cintia Maria. A série completa pretende contar mitos  de 16 orixás e já conta com mais dois roteiros escritos, além do ” Águas de Oxalá”. Se a meta minima  não for atingida, o dinheiro será devolvido. A partir de R$ 100, as doações podem ser parceladas.

 A plataforma de financiamento coletivo foi pensada como mais uma forma de captação de recurso. ” O processo político que estamos vivendo é um retrocesso na luta por políticas afirmativas no Brasil. E convencer mais pessoas a participar dessa construção e o alcance que tivemos com o primeiro filme tem auxiliado na conquista de novos parceiros”, contou Jamile. O conteúdo é importante instrumento  na construção da identidade de crianças mais conscientes da importância de entender sua origem, além de combater posturas que levam à intolerância religiosa.
História
As inquietações de Luna– uma menina negra de oito anos–  na busca de livros sobre mitologia africana para apresentar um trabalho escolar, norteiam a produção. “O telespectador será transportado para  as dimensões Aiyê e o Orun por meio do mito das Águas de Oxalá e a saga de Oxalufã para chegar até Oyó, reino de Xangô”, contou Jamile Coelho.

 

A parceria com Cintia também é responsável pelo argumento do filme e a dupla já conta com premiações importantes no universo cinematográfico nacional como a do Festival Internacional Brasil Stop Motion e do 20º Florianópolis Audiovisual Mercosul.

A técnica é outra novidade para “Águas de Oxalá” que irá utilizar computação gráfica, 2D, motion grafics, maquetes e 3D, enquanto o primeiro foi feito em Stop-motion (ferramenta que consiste em uma sequência de fotografias. São cerca de 25 frames por segundo).

E como notícia boa nunca demais, a atriz Léa Garcia integra o elenco de  “As Águas de Oxalá”. Além da trajetórias em novelas, Léa se destacou em filmes como  “Orfeu” e “As Filhas do Vento” e começou a carreira em uma das referências mais emblemáticas da militância negra na arte:  Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento. Como no primeiro filme, entre outros, permanecem no elenco os  atores Jorge Washington que continua dando vida a Orumilá, assim como ator João Miguel que interpreta Oxalá.

Assim como o primeiro número, a próxima edição do projeto também garante os direitos da pessoa surda e cega, oferecendo um filme com recursos de Legenda Fechada para Surdos e Ensurdecidos (LFSE) e audiodescrição (AD). A tradução é feita em seis línguas (português, inglês, francês, espanhol, yorobá e língua brasileira de sinais)

Premiações

O “Òrun Àiyé: a criação do mundo”, primeiro episódio da série lançado em janeiro deste ano, ganhou os prêmios de Melhor Animação no Festival de Cinema Largo Film Awards, em Genebra, na Suíça, e Melhor Animação da Diáspora no Silicon Valley African Film Festival, no Vale do Silício, Estados Unidos.

O projeto foi financiado pelo edital de apoio para curta-metragem ‘Curta-afirmativo: Protagonismo da Juventude Negra na Produção Audiovisual’, parceria entre a Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura e a Fundação Palmares, além do Edital de Patrocínio 2014 da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás).

Na estreia da série, o historiador Ubiratan Castro de Araújo (1948-2013) foi homenageado como o griôt  –narrador das lendas africanas– envolvendo deuses como Olodumaré, Oxalá, Orunmilá, Ododuwa, Nanã e Exu na construção da  religiosidade afro-brasileira.

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Escritor

Soteropolitana até não poder mais, filha de Oxoguian e chocólatra. De formação, sou jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Jornalismo Contemporâneo.

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