A força de uma família protegida por Xangô é tema da nova edição

Uma das formas de resistência dos africanos na diáspora, diante dos danos da escravidão, foi reconstruir seus laços da forma possível. A religião teve um papel decisivo neste processo. Não é à toa que o candomblé mantém denominações de parentesco muito fortes em sua estrutura como “mãe”, “pai”, “irmã” e “irmão” para descrever hierarquias e níveis de relações rituais.  Uma família de origem africana conseguiu outra proeza: manter não apenas uma descendência no campo religioso, mas também laços consanguíneos para além do Atlântico. Trata-se dos descendentes de Bamboxê Obitikô, um homem saído de Oyó, local de origem do culto a Xangô, no território da atual Nigéria. É um pouco da história desta família, conectada entre Salvador, Rio de Janeiro, Lagos e Londres que a quinta edição da Flor de Dendê apresenta sob o título Família forjada pela força de Xangô.

“É uma das poucas famílias de origem africana que pode remontar uma continuidade. E é algo realmente raro inclusive na questão de ter contato com outros integrantes em Salvador, em Lagos, no Rio de Janeiro e em Londres” , aponta Lisa Earl Castillo. Doutora em Letras, a pesquisadora vem apresentando um trabalho consistente na localização de novas informações, fartamente documentadas, sobre Bamboxê Obitikô e outros personagens de importância fundamental para o processo de organização e sedimentação do candomblé no século XIX.

O terreiro Pilão de Prata, localizado na Boca do Rio, em Salvador, liderado pela babalorixá Air José Souza de Jesus  e o Lajoumim, situado no Engenho Velho da Federação são duas instituições representantes deste importante legado. Família forjada pela força de Xangô é a primeira de uma série de edições, que serão publicadas, de forma periódica, sobre legados importantes do candomblé baiano e que ensinam sobre estratégias e alianças para resistir.

Confira esta edição da Flor de Dendê clicando aqui.

 

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Escritor

Nasci em Cachoeira no recôncavo; cresci em Iaçu na Chapada Diamantina e vivo em Salvador. Transito, portanto, em três das áreas mais charmosas da Bahia. Sou jornalista, doutora em antropologia e mestra em estudos étnicos e africanos

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