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Livro aborda o patrimônio cultural para o público infantil

ilustrações Maria Chantal

Ela é curiosa se interessa pela cultura viva do sue universo e transforma todos os elementos formadores de sua identidade e resignifica o conceito de museu para um ambiente vivo, dinâmico e relacionado ao dia a dia das pessoas. Partindo do sentimento de pertencimento a garotinha Calu vai inventariando a ilha da Boca do Rio transformando o olhar das pessoas para o lugar onde vivem.

Esse é o contexto do primeiro livro das museólogas e historiadoras Cássia Vale e Luciana Palmeira, Calu: uma menina cheia de histórias que terá pré-lançamento nesta sexta-feira (6), na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) e lançamento, no próximo dia 22, na 8ª edição do festival A Cena Tá Preta, realizado pelo Bando de Teatro Olodum.

A obra concretizada pela editora Malê, com ilustração de Maria Chantal e prefácio de Lázaro Ramos, parte da educação para abordar a questão do patrimônio material e imaterial de forma ampla e acessível. “Nosso objetivo é mudar a imagem que a maioria das pessoas tem do museu e implementar um conceito moderno e amplo. Museu não é lugar de coisa velha e não pode ser restrito. Tudo pode ser transformado em museu

A abordagem com viés da cultura negra também foi levada em conta na construção do discurso do livro. Calu é negra e escrito por duas mulheres negras. Desta forma, já nasce com uma missão específica: iniciar a discussão do museu como patrimônio e identidade para o público infantil.

Cássia Vale que também é atriz, integra o colegiado do Bando de Teatro Olodum e é coordenadora do Centro de Pesquisa Moinhos Giros de Arte, divide o texto como a amiga Luciana Palmeira. O contexto da história é comum entre ambas que passaram boa parte da juventude no bairro da Boca do Rio– entre o final da década de 80 e início os anos 90– que é transformado em ilha no universo de Calu. Moradora da ilha e sempre com o bloquinho de papel e um lápis, a menina faz o inventário da região a partir das vivências de integrantes da comunidade como pescadores, capoeiristas, griôs, rezadeiras, lavadeiras, educadores, entre outros, ela levanta um arsenal de histórias que dão corpo a esse museu a céu aberto.

“Os avós dela Dandara e Pedro são os detentores do saber e os guardiões da história. E, de forma involuntária, que transfere para a garotinha essa responsabilidade da sensibilização da comunidade na preservação e divulgação dessa cultura local, relacionada às matrizes africanas, lendas, cantos, saberes e demais manifestações”, explicou Luciana Palmeira.

Calu é fruto e vem marcar os 20 anos de existência de outra parceria das autoras: o Programa Patrimônio Cidadão que foi criado na época em que ainda eram estudantes universitárias na Universidade Federal da Bahia (Ufba) do curso de museologia. O propósito é tornar os bens culturais mais acessíveis a partir da percepção do museu de forma integrada com a sociedade no fortalecimento e preservação dos valores culturais.

Nessa linha mais três obras estão no forno: Um museu e muitas histórias, de Luciana Palmeira, Cássia Vale e Maria Marta Jacob, pela editora Real distribuidora Ltda, além de Manual do patrimônio e História de Dona Bahia e Buizinho – que tem a história da cidade de Salvador e sua cultura imaterial contada por um guia mirim–  ainda esperam por uma editora que assuma a publicação. Os dois últimos também foram escritos por Cássia e Luciana. “Todos os trabalhos são interligados para a construção da nossa proposta que é desmitificar a ideia de museu. Fazer as pessoas entenderem que tudo pode ser patrimônio e toda a sociedade está inserida nesse contexto”, explica Cássia.

 

 

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02 comentários

Escritor

Soteropolitana até não poder mais, filha de Oxoguian e chocólatra. De formação, sou jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Jornalismo Contemporâneo.

2 Comentários

Carla

Super interessante a proposta. Sou coordenadora de escola de educação infantil e estou organizando a relação dos livros para 2018. Como poderia avaliar a publicação para verificar se é compatível com a idade dos alunos? Esse ano de 2017, um dos livros q inserimos na lista foi pretinha do ébano, de Kalypsa Brito. Grata, aguardo retorno.

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Meire Oliveira

Oi, Carla. Podemos colocar você em contato com as autoras. Pode me passar seu email ou outra forma de contato?

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