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Tambores do Mundo completa 10 anos no Carnaval

Atuar na valorização e divulgação da percussão e da dança afro-baiana no processo de construção de identidade étnica e autoestima do negro é a proposta do projeto Tambores do Mundo que completa uma década neste Carnaval. O bloco desfila nesta sexta-feira e domingo, a partir das 15h, no Circuito Batatinha. Nesse contexto, percussionistas de diversos blocos afros de Salvador atraem estrangeiros que querem ter a experiência de um turismo focado na vivência cultural de uma forma diferenciada.

Por quase um mês, o grupo formado por cerca de 40 integrantes – entre músicos, dançarinos, artistas e pesquisadores–, saem de países como França, Espanha, Eslováquia, Alemanha, Estados Unidos, Grécia e Angola para passar a temporada de festa na capital baiana.

Eles ficam hospedados em pousadas no entorno do circuito onde desfilam e participam das oficinas que funcionam com uma espécie de laboratório que estuda as células rítmicas da música percussiva de matriz africana e da diáspora e que deram origem a ritmos como salsa, kuku, guaguancó, gwinaua, ijexá, samba afro, samba reggae, dentre outros, mas com base na música afro-baiana que tem a raiz no candomblé e na sonoridade dos blocos afros de Salvador.

Além do coquetel de abertura, este ano, a programação incluiu palestras, pocket show da Banda Erê, do Ilê Aiyê, workshops de percussão e de dança no Forte da Capoeira, visita ao Ilê Axé Jitolú, no Curuzu, e nas quadras dos blocos Ilê Aiyê, Malê Debalê e Cortejo Afro e passeio de escuna.

O projeto, também, promoveu o Encontro dos Mestres, no Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo. Na oportunidade, mestres que passaram pelo Tambores do Mundo ao longo dos seus 10 anos, contaram a experiência dessa trajetória e fizeram apresentações nas suas áreas.

Este ano, a vivência teve início no dia 29 de janeiro. Antes do Carnaval, o grupo se apresentou durante a madrugada no dia 2 de fevereiro, no Rio Vermelho, e na edição do Furdunço realizada no último domingo em parceria com o músico Wilson Café. No encerramento do último dia de desfile, ocorre uma confraternização no Espaço Alafin Ayó, no Santo Antônio Além do Carmo, com show da banda Tambores do Mundo.

A iniciativa tem a coordenação assinada pelos mestres Mario Pam e Patinho Axé, além dos gestores Edmilson Gato, Chantal Lebeau, Eduardo Escariz, Sandro Teles e Zora. Nesta temporada, as aulas de percussão foram ministradas pelos mestres Mario Pam, Patinho Axé– ambos do Ilê Aiyê– Dennis (Malê Debalê) e Gordo (Cortejo Afro). Para as aulas de dança foi firmada parceria com o Grupo de Estudos em Dança das Rainhas dos Blocos Afro (Gedar), coordenado por Sueli Conceição. Veja matéria sobre o Gedar aqui na Flor de Dendê.

“Pretendemos retomar todas as formas expressadas na evolução da música percussiva, as decodificar para o contexto específico da realidade afro-baiana. No entanto, sem perder de vista a relação de identificação entre os ritmos de toda parte do mundo, ressaltando sempre o caráter comum da origem ancestral”, explica o coordenador de comunicação do Tambores do Mundo, Sandro Teles.

Serviço

O que? 10ª edição do Tambores do Mundo

Quando? 9 e 11 de fevereiro

Onde? Circuito Batatinha (Pelourinho)

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Escritor

Soteropolitana até não poder mais, filha de Oxoguian e chocólatra. De formação, sou jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Jornalismo Contemporâneo.

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